Autoestima
Compreender a Autoestima: O que Diz a Ciência sobre o Nosso Valor Próprio
Publicado a 16 de julho de 2026 · 3 min de leitura

O que é a autoestima para a ciência?
No quotidiano, costuma-se associar a autoestima a um estado permanente de otimismo ou a uma atitude de admiração incondicional por si próprio. Contudo, do ponto de vista da psicologia, a autoestima é um construto muito mais profundo. Ela funciona como uma espécie de termómetro interno que avalia o nosso valor global como indivíduos. Trata-se de uma atitude afetiva, favorável ou desfavorável, que desenvolvemos em relação a nós mesmos ao longo da vida.
Para compreender este conceito, é fundamental distingui-lo de outros termos semelhantes:
- Autoestima: Refere-se à avaliação global do próprio valor como ser humano (ex.: "sinto-me digno de afeto e respeito").
- Autoeficácia: Diz respeito à crença na própria capacidade para realizar uma tarefa específica (ex.: "consigo aprender um novo idioma").
- Autoconfiança: É a expectativa de sucesso face a um desafio, baseada em experiências anteriores.
Esta distinção ajuda a explicar por que razão algumas pessoas são extremamente bem-sucedidas no plano profissional (alta autoeficácia), mas continuam a debruçar-se sobre um sentimento constante de inadequação (baixa autoestima).
A evolução do conceito e a necessidade de pertença
A abordagem científica da autoestima revela que esta perceção não se constrói no vazio. Historicamente, teóricos como William James já no final do século XIX apontavam que a autoestima resulta da relação entre as nossas conquistas reais e as nossas expectativas. Expectativas irrealistas podem, portanto, prejudicar a visão que temos de nós mesmos, independentemente do sucesso alcançado.
Mais tarde, a psicologia evolutiva propôs a Teoria do Sociómetro. Segundo esta perspetiva, a autoestima funciona como um radar biológico que mede o nosso nível de aceitação e integração social. Sendo o ser humano uma espécie social, a sensação de exclusão ativa as mesmas áreas cerebrais que a dor física. Assim, as variações na nossa autoavaliação servem como alertas para reajustarmos a nossa ligação com o meio social.
Os pilares práticos e o perigo dos elogios vazios
Durante algumas décadas, acreditou-se que promover a autoestima através de elogios constantes e sem fundamento seria a chave para o bem-estar. No entanto, estudos subsequentes demonstraram que a validação externa fictícia não gera segurança; pelo contrário, pode fomentar o narcisismo ou uma estabilidade emocional frágil.
A autoestima robusta assenta na competência real e no confronto com desafios quotidianos. Baseia-se em práticas consistentes, tais como:
- Viver conscientemente: Estar atento à realidade, sem fugas ou negações.
- Autoaceitação: Desenvolver uma relação de respeito e não de adversidade consigo próprio.
- Autorresponsabilidade: Assumir o papel de sujeito ativo nas próprias escolhas.
- Integridade pessoal: Agir em concordância com os próprios valores.
Uma autoestima saudável não se traduz num sentimento de superioridade em relação aos outros, mas sim na ausência da necessidade de comparação constante, permitindo encarar os erros como parte do desenvolvimento emocional.
Fonte : psicologogratuito.com
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