Sono
A saúde mental de quem cuida: o autocuidado no exercício da psicologia
Publicado a 16 de julho de 2026 · 3 min de leitura
O mito da invulnerabilidade na psicologia
Existe uma crença socialmente partilhada, e muitas vezes interiorizada pelos próprios profissionais, de que os psicólogos, por dominarem o conhecimento sobre o comportamento humano, são imunes ao sofrimento psicológico. No entanto, a realidade é muito diferente. Os psicólogos são, antes de mais, pessoas. Tal como qualquer outro indivíduo, são vulneráveis a problemas de saúde mental, como a ansiedade, a depressão ou o esgotamento profissional (burnout).
A ciência psicológica oferece ferramentas valiosas para a compreensão das emoções, mas o conhecimento teórico não funciona como uma vacina contra a dor ou a exaustão. Reconhecer que quem cuida também precisa de cuidados é o primeiro passo para desmistificar a ideia de que estes profissionais devem ser constantemente exemplares e invencíveis.
Fatores de risco no exercício profissional
A prática da psicologia acarreta uma exigência emocional e cognitiva muito elevada. O dia a dia destes profissionais envolve lidar com a complexidade e a dor do outro, exigindo uma forte capacidade empática e de escuta ativa. Esta constante priorização das necessidades de terceiros pode levar à negligência das próprias necessidades pessoais.
Além disso, fatores como a limitação no controlo dos resultados terapêuticos, o isolamento clínico e a escassez de recursos de apoio ou supervisão podem desgastar silenciosamente o profissional. Quando a principal ferramenta de trabalho é a própria pessoa do psicólogo, o cansaço acumulado não afeta apenas o seu bem-estar individual, mas pode também comprometer a qualidade da sua prática clínica.
O silêncio e o medo do estigma
Infelizmente, muitos profissionais de saúde mental hesitam em partilhar as suas próprias dificuldades. O medo do julgamento, de parecer fraco ou incompetente perante os pares e a comunidade, e o receio de impactos negativos na carreira geram barreiras significativas à procura de apoio.
Este silêncio é contraditório com as mensagens de prevenção e autocuidado que os psicólogos transmitem diariamente aos seus clientes. Quando o sofrimento é vivido em segredo, o risco de isolamento aumenta, o que pode agravar os sintomas e dificultar a recuperação.
Cuidar de si como um ato de responsabilidade ética
Procurar ajuda profissional, fazer sessões de supervisão ou optar por uma pausa temporária quando necessário são atitudes que demonstram uma enorme responsabilidade ética e maturidade profissional. Saber reconhecer os próprios limites e proteger a sua saúde mental não diminui a qualidade de um psicólogo; pelo contrário, fortalece-a.
Uma pausa consciente para descanso permite restaurar a clareza mental e a empatia necessárias para exercer a profissão em segurança. Cuidar de si mesmo é uma condição indispensável para continuar a cuidar dos outros com a sensibilidade e a excelência que a psicologia exige.
Fonte : ordemdospsicologos.pt
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